mai 182012
 

 

 

Acho que o filme que mais vezes assisti foi BLADE RUNNER. Já vi na TV, aluguei fita, baixei na net e comprei o DVD. Posso justificar essa loucura pelo fato terem sido lançadas sete (sete!) versões diferentes da obra.

Existem muitos críticos de cinema que inventam interpretações discutíveis para rebostejar cultura sobre determinados filmes, mas no caso de Blade Runner todos os elogios e divagações acadêmicas são realmente merecidos. E o diálogo final entre o Replicante e Deckard é um dos melhores momentos do cinema em todos os tempos.

Agora falam em uma continuação. Apesar dos envolvidos serem os reponsáveis pelo filme original, essa ideia não me parece muito certa.

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Existem outros filmes que eu paro para ver toda vez que esbarro com eles na TV. A DAMA DE VERMELHO, por exemplo: deixo de lado qualquer outro programa para assistí-lo, não importa em que parte esteja ou se não terei tempo de terminá-lo.

Nem precisaria dizer então que sou fã de Gene Wilder, e o que descrevi acima também ocorre quando reprisa A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (só o original, claro, pois nem o Charlie Harper entedeu a razão da refilmagem).

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Eu também me pego revendo MATRIX toda vez que passa.  E esse passa bastante! Mas se o primeiro da série é sensacional em termos de história  e técnica, o segundo (RELOADED) é  muito confuso, e o terceiro (REVOLUTIONS) é bem cansativo.

Pensando nas continuações de MATRIX fico com mais medo ainda do novo BLADE RUNNER.

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Mas nem toda sequência é ruim. O CAVALEIRO DAS TREVAS é bem melhor do que BATMAN BEGINS – que tem suas qualidades, mas ainda não era o filme do Homem-Morcego que eu queria ver no cinema.

Falando em Batman, todos aqueles filmes feitos no final do anos 80 e começo dos 90 são ruins, inclusive os do Tim Burton, que os críticos que inventam interpretações tanto adoram.

O terceiro filme da saga atual vem aí, e o trailer empolga:

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É verdade que nem sempre os mais novos são melhores. Os filmes do Superman feitos no século passado são bem superiores ao realizado em 2006.

Bom, na verdade só os dois mais antigos são melhores, o Superman III é ruim e o IV é constrangedor.

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Se filme de super-herói agrada, não deixe de ver OS VINGADORES, que além de ser um bom filme é também uma grande oportunidade para ver a Scarlett Johansson em 3D.

 

 

 

mai 112012
 

 

 

A mulher levanta da cama e enrola a toalha pelo corpo, o que faz Jorge achar graça nesse gesto de pudor tardio. Enquanto ela se dirige ao banheiro o celular começa a vibrar em meio às roupas caídas no chão. Ele hesita um pouco, mas decide verificar quem está chamando.

- Nossa! É a sexta ligação da minha casa, Norma. Acho melhor atender para não dar suspeita.

A mulher no banheiro dá de ombros, fingindo não se importar.

- Alô?

- GRAÇAS A DEUS! VIRGEM MARIA! GRAÇAS A DEUS VOCÊ ESTÁ VIVO! AH, MEU DEUS, ACHEI QUE VOCÊ TINHA MORRIDO! – grita a esposa de Jorge, completamente descontrolada no outro lado da chamada  – Você está bem? Está ferido?

- Que é isso, Ritinha? Se acalme! O que houve?

- O prédio, Jorge, você estava dentro do prédio! Eu achei que você tinha morrido, meu Deus!

- Que prédio, mulher? Do que você está falando?

- O prédio caiu, Jorge, eu tô vendo na TV! O prédio do escritório tá todinho no chão! Aonde você está? Você não estava em uma reunião?

- Sim, sim, é claro! Eu estou… que dizer… estava numa reunião… eu te avisei… – Enquanto ele tenta dar um jeito na situação, Jorge gesticula freneticamente para a mulher que está parada na porta sem entender o que se passa. “Ligue a tv”, sussurra, enquanto tampa o telefone com mãos.

Ela liga a televisão e na tela primeiro aparece uma voluptuosa loira de biquini abrindo a porta para um entregador de pizza. Norma então começa a trocar os canais até surgir a imagem do destroços do edifício aonde trabalhavam. “Putamerda!!!”, exclamam ao mesmo tempo, enquanto a voz de Ritinha continua ser ouvida através do telefone.

Jorge olha para o celular e desliga chamada. Ele precisa de um tempo para pensar, para entender o que está acontecendo.  Em poucos segundos, todavia, o aparelho volta a vibrar. Ele respira fundo, conta até três e atende:

- Querida, a ligação tá ruim, o sinal tá fraco, tá tudo muito confuso. Os clientes avisaram que iriam se atrasar e eu desci para tomar um café na avenida, encontrei o Fernando e ficamos batendo papo. Eu bem que escutei um barulho, mas não sabia o que era – ele fala e procura as roupas pelo chão do quarto ao mesmo tempo.

- Graças a Deus! Mas e a Norma, Jorge?

- O que tem a Norma? E eu lá sei da Norma? Eu não sei da Norma…

- O marido dela ligou desesperado aqui em casa, Jorge! Ele falou que ela ia ficar até mais tarde no escritório também!

- Ah, o marido dela ligou, é? – disse Jorge, olhando para a parceira que está de olhos arregalados -  ela… ela… ah, ela disse que precisava resolver umas coisas, comprar um presente pra ele… Isso! Ela deve ter ido ao shopping pra preparar uma surpresa pra ele, sei lá…

- Que bom Jorge, que bom! Eu estou saindo de casa e estou indo…

- Não, não venha! Eu estou indo pra casa! As coisas estão ficando tumultuadas na região! Estão chegando a polícia, os bombeiros, escuta só: UÓUÓUÓUÓUÓUÓU… Vou pegar o carro no estacionamento, o trânsito está horrível e acho que vou demorar um pouco, mas eu chego aí -  disse antes de encerrar a ligação.

Eles terminam de se vestir e saem apressadamente. Jorge leva Norma para o shopping, dá dinheiro para ela comprar um presente para o marido e para pegar um táxi, e vai para casa.

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No dia seguinte Jorge se encontra com Fernando,  seu costumeiro álibi, que fica espantado com a história de seu velho amigo:

- Que coisa, cara! O prédio caiu, mas você deu muita sorte! O escritório estava no seguro, você não perdeu muita coisa lá, mas se sua mulher fosse um pouquinho mais desconfiada seu prejuízo teria sido imenso… E o marido da Norma? Ele não estranhou dela não atender o celular?

- Ela disse que esqueceu o telefone no prédio, e que por isso ele foi destruído. Vou ter que comprar um aparelho novo pra ela.

- Bom, espero que você tenha consciência do que houve e repense o seu modo de vida a partir de agora.

- Com certeza, amigo. Isso tudo foi um verdadeiro sinal! Um sinal de que tenho que encarar as coisas de outro jeito!

- Que bom que você vai sossegar agora!

- Sossegar? Você está louco! Agora é que eu vou desbundar mesmo! Você não percebeu? Se eu tivesse feito tudo certinho, se eu realmente estivesse trabalhando até tarde, eu teria morrido…

mai 032012
 

 

Praça Dom Pedro II, mais conhecida como Praça do Itaú

 

Não é fácil fazer faculdade em outra cidade. Ainda mais quando essa outra cidade fica a mais de 400 km de onde você mora.

Além de se habituar aos usos e costumes locais, você ainda tem que passar a morar sozinho ou, como faz a maioria, começar a morar com estranhos em uma sociedade informal chamada república – que é algo que tem tudo para dar errado, mas de vez em quando dá muito certo.

Antes de encontrar os caras certos e montar uma república, porém, fui recebido em Franca pelo Adolfo, que eu tinha conhecido brevemente em uma reunião nos meus tempos de Mocidade Espírita. Ele já tinha se formado em História pela Unesp, e quando liguei pedindo um auxílio o fato de não se lembrar de mim não o impediu de ser excepcionalmente prestativo.

Lembro-me perfeitamente do dia que cheguei em Franca pela segunda vez – a primeira tinha sido no dia da matrícula. Peguei um ônibus da rodoviária até o centro e desci na praça do Itaú, por volta da hora do almoço. Enquanto procurava pela imobiliária aonde o Adolfo trabalhava passei por várias lojas que, sintonizadas numa mesma rádio, tocavam um música que tinha o significativo refrão:

Life will never be the same

Life is changin’

Como aquele era o poperô de sucesso da época a música foi me acompanhando enquanto eu caminhava. Era uma  trilha sonora aburdamente apropriada, que me fazia rir sozinho enquanto andava pelo calçadão da Marechal Deodoro.

Quando encontrei o Adolfo, que trabalhava bem em frente à Unesp, achei que ele iria me indicar algum lugar para ficar, mas ao invés disso ele me levou para sua casa e sua família me acolheu por quase um mês – mesmo depois que seu pai me achou dormindo dentro do seu carro (na primeira noite do trote eu voltei tarde, todo sujo, pintado, com farinha por todo corpo, e não tinha as chaves para entrar na casa).

Depois daquela noite os pais do Adolfo me deram uma cópia da chave da porta. E passaram a trancar o carro.

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Um dos grandes erros que cometi na vida foi nunca ter agradecido devidamente ao Adolfo e sua família por tudo o que fizeram por mim.

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A música de que falei é Life, de um tal de Haddaway. Não é o tipo de canção que gosto, mas pra esta eu abro uma exceção.

 

 

abr 262012
 

Uma das maiores pragas do mundo moderno, ao lado das lojas online que não entregam a mercadoria comprada (te vejo nos tribunais, Apetrexo.com!), é o comentarista.

Até um tempo atrás nós só convivíamos com essa classe nas transmissões de futebol, no rádio ou na tv, e eles serviam para palpitar sobre táticas e acrescentar informações. Na década de 80 surgiram os comentaristas econômicos, que faziam muito sucesso falando sobre coisas que ninguém entendia em tempos de inflação sem controle e planos financeiros sem sentido. Com a passagem dos anos, contudo, houve uma disseminação dos palpiteiros, e aí o mundo passou a ter alguém para dar opinião sobre quase tudo, mesmo que não solicitada.

Creio que foi nos anos 90, por exemplo, que algum gênio achou por bem colocar ao lado do comentarista de futebol alguém para fazer comentários sobre a arbitragem, o que é uma das funções mais inúteis que pode existir: eles só servem para falar sobre aquilo que todo mundo viu – ou para tentar nos convencer que aquilo que vimos não foi o que aconteceu. Daí para ter comentarista até de BBB foi um pulo.

Mas os piores são os comentaristas de artigos na internet. Como que para comprovar que a democracia é um sistema imperfeito, hoje todo mundo pode dar uma opinião, não importa qual e não importa sobre o quê. Mesmo que o cidadão não saiba usar vírgulas, ou não tenha a menor ideia de existe a crase, ele se acha capaz de comentar a alta na Nasdaq, a compra do Instagram pelo Facebook e o sistema de cotas.

Muitas das opiniões são apenas babaquice pura. De repente, um artigo sobre um filme qualquer vira uma discussão sobre o meu partido que é maior que o seu, ou o jogador do meu time pega mais travestis que o seu, ou a revista que eu leio mente mais que a sua, e por aí vai. Na maioria das vezes isso é engraçado, mas em outras o que vemos são amostras aterradoras de ignorância e preconceito.

Eu sei que essa possibilidade de acesso a informação é benéfica, e que é bem melhor um sistema no qual todos possam se expressar do que outro em que todos devem ficar calados. Mas muitas vezes me assusto ao saber o que outras pessoas pensam.

Admito que talvez eu esteja exagerando. O que você acha? Deixe seu comentário.

abr 202012
 

 

Só porque eu não gosto de músicas que rimam coração com paixão não quer dizer que eu não tenho sentimentos. Eu gosto de canções que falam de amor sim, principalmente aquelas que não se parecem com canções de amor.

Para ilustrar o que estou dizendo, veja como o Pixies fala de um grande, grande amor:

 

 

Uma das mais belas letras do Radiohead fala sobre o fim do relacionamento em uma música frenética e caótica:

 

 

E entre longos solos de guitarra, Neil Young fala sobre querer amar em uma música de mais de 8 minutos – isso sem ter que repetir setenta e oito vezes alguma idiotice do tipo “quero um amor maior/amor maior que eu”:

 

 

Ser romântico, como quase tudo na vida, é uma questão de ponto de vista.